Pais Helicóptero: Não Seja Um Deles


Os pais helicóptero são aqueles que não conseguem sair de perto da criança por medo que ela se machuque ou faça algo “que não deve”.

 

Os pais helicóptero são aqueles que não conseguem sair de perto da criança por medo que ela se machuque ou faça algo “que não deve”. Pensam que estão fazendo o melhor pros seus filhos, mas giram em torno deles de tal maneira que, quando crescem e vão pro mundo, simplesmente não estão prontos para ele.

O quanto nossas crianças vivem uma infância castradora, indo de “ilha pedagógica” em “ilha pedagógica”, por conta das mudanças sociais que alteraram completamente a forma como educamos?

Promovem um ambiente controlado e todo o brincar é dirigido por um adulto, seja cuidador ou professor. Não há espaço para experimentar, descobrir, testar, errar e aprender de forma livre. Se não é um adulto, é a babá eletrônica quem está “cuidando” da criança (as telas, sejam em formas de jogos ou vídeos, que supostamente ajudam na educação).

Esses cuidadores repetem o tempo todo “cuidado”, “não mexe aí”, “não coloca na boca”, “não se suje”, “você vai acabar se machucando”, “fica quietinho”, “não suba aí”, “falei que você ia se machucar!”.

Mas isso não é coisa de pais envolvidos na educação dos filhos?, você me pergunta.

E aí é que mora uma diferença sutil: pais envolvidos e conscientes sabem a hora de intervir e a hora de deixar fluir. Orientam, mas não fazem pela criança aquilo que ela já é capaz de fazer por si mesma. E compreendem a importância da Experiência para o Aprendizado Cognitivo, Emocional e Social.

E como a gente sabe que a linguagem corporal fala muito mais alto do que qualquer palavra (certo, Linguagens que Conectam?), vale lembrar que a forma como movemos nosso corpo pode, por exemplo, transmitir Confiança ou Medo, Incentivo ou Receio, Admiração ou Reprovação.

E a criança recebe esses sinais com muita força, pois eles falam direto ao seu inconsciente.

Como bem coloca Gabriele Pohl em seu artigo sobre o assunto:

“Em vez de confiar na capacidade de resistência das crianças e enxergar o risco de se machucar como um componente da liberdade, da qual as crianças necessitam para perscrutar o seu meio ambiente e para poder fazer experiências com ele e consigo próprio, tentamos preservar as nossas crianças de tudo, preservando-as em primeiro lugar da própria vida.”

 

Por excesso de zelo, sufocamos.

Para que não se machuquem, embrulhamos no plástico bolha.

Por medo de perde-las, criamos gaiolas de ouro.

E isso é o oposto do que as crianças necessitam no século XXI.

Seremos melhores guardiões de formos capazes de transmutar esses cenários:

Demonstrar o zelo através da atenção às Necessidades das crianças.

(Meu vídeo sobre isso: https://youtu.be/SB9tJnJ7fys )

Ensinar que os machucados são parte do processo de Resiliência.

(Meu vídeo sobre isso: https://youtu.be/qPLepgqweFo )

Deixar de fazer Escolhas por Medo e passarmos a faze-las por Amor.

(Meu vídeo sobre isso: https://youtu.be/yjwQ3kfdGvk )

São mudanças internas que vão refletir por todas as nossas relações, e nos colocam no caminho de verdadeiramente criarmos filhos independentes, maduros emocionalmente e capazes de navegar os mares desconhecidos que a vida adulta lhes apresentará.

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Texto escrito por Cynthia Michels no seu perfil do Linkedin.
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Lívia Salgado

Lívia Salgado

Diretora e Psicopedagoga at CELS - Centro Educacional Lívia Salgado
Lívia Salgado se declara mineira, pois se mudou ainda criança para Belo Horizonte, onde desde cedo trabalhou com crianças e estudou magistério no IEMG (Instituto de Educação de Minas Gerais). Também atuou como professora e coordenadora pedagógica antes de ter sua própria escola ainda em BH. Logo após se mudou para Santa Catarina, onde se formou em Pedagogia pela Unisul e fez especialização em educação infantil. Na sequência fez Pós Graduação em Psicopedagogia. Desde 2005 atua como coordenadora pedagógica do CELS, escola de educação infantil que leva seu nome, onde busca o desenvolvimento individual e pleno da criança no contexto social e cultural no qual está inserida. Mãe de dois filhos, apaixonada pela família e atividades domestica, adora seu lar onde se distrai cuidando de seus animais e plantas.
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